ANNABELLE 2: A CRIAÇÃO DO MAL | Crítica

Ela está de volta!

Terça-feira, 08 de Agosto de 2017 às 10:42
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Diogo Simão
Por Diogo Simão escritor/a em SOMOSGEEKS.PT
Nascido em 1994. Trabalhou em mais de 30 produções cinematográficas, escreveu/realizou 4 curtas-metragens, 3 peças de teatro e é co-autor...

Conta-se pelos dedos de uma mão sem três deles, os filmes de terror que adoro: O Exorcista de William Friedkin e A Bruxa de Robert Eggers. Ambos os filmes primam pela sagacidade técnica dos seus realizadores, interpretações incríveis e pela história cativante. O terror nestas obras é alicerçado nos conflitos internos das personagens, despoletados pelas situações extraordinárias em que se encontram.

É verdade, filmes de terror em que o medo não é gerado por silêncios prolongados seguidos de guinchos que até podiam ter sido feitos pela pessoa ao teu lado… Filmes de terror que te assombram pelas questões que colocam e não pelos olhinhos amarelos que aparecem uma vez ou duas. Que conceito original, não achas? Os dois primeiros The Conjuring- A Evocação estão no limiar do bom terror. O primeiro Annabelle foi visto pela primeira vez em 1973 a ser regurgitado pela protagonista de O Exorcista numa das suas cenas mais famosas. Tradução: é um péssimo filme com muito pouco de positivo.

Entra em palco Annabelle 2: A Criação do Mal. Realizado por David F. Sandberg, que tenta extrair tudo o que pode de um argumento com uma premissa fraquíssima, mas com alguns elementos interessantes.  A fazer lembrar, mais que uma vez, Nas Costas do Diabo de Guillermo del Toro, este filme mostra-nos de onde surgiu a boneca assombrada e como entra na vida de meia dúzia de meninas órfãs.

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Entre elas encontram-se Janice (Talitha Bateman), uma menina com pólio, e Linda (Lulu Wilson) a sua melhor amiga. A sua relação e as interpretações das actrizes são a única coisa que prende emocionalmente durante as quase duas horas de filme. O início é forte, mas o argumento não aproveita a brecha que abriu no coração do público, já tendo a ferida sarado quando nela se volta a tocar. O resto das órfãs têm o seu papel mais ou menos definido, mas nunca são o foco da atenção. A freira que as acompanha, interpretada por Stephanie Sigman, é igualmente prestável, mas pouco acrescenta. Estão também no elenco Miranda Otto e Anthony LaPaglia, actores extremamente competentes que, apesar do pouco tempo de ecrã, conseguem elevar a carga emotiva do filme.

Infelizmente o argumento padece de uma maldição bem pior do que qualquer demónio poderia ser: parvoíce aguda. Rara é a situação paranormal que seja plausível: não no sentido fantasioso, mas segundo a lógica que foi estabelecida ao longo desta saga. Admito que não contive um belo facepalm quando, em mais do que uma cena, houve uma gritaria desmedida e, ou ninguém se apercebeu, ou aperceberam-se quando foi conveniente para a história.

Mais: ao longo de 3 filmes foi estabelecido que para derrotar demónios é necessário exorcismos, alguns acessórios religiosos e muita fibra moral, sendo impossível atacar fisicamente a sua forma “original”. Ora, numa bonita cena, uma das pequenas meninas espeta com uma lanterna nas manápulas do bicharoco infernal. E, como seria (?) de esperar, ele recolhe a dita manápula, guinchando de dor… Enfim:  o horror, o horror…

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Dito isto, o realizador sueco tenta utilizar todos os brinquedos à sua disposição para criar uma atmosfera assustadora. A fotografia procura todos os detalhes disponíveis no frame, usando e abusando do foco e da (falta de) luz. O som consegue encapsular-nos na casa assombrada, criando uma geografia credível, que nem precisaria de imagem para te fazer sentir localizado. O suspense existe mas, quando comparado com o The Conjuring- A Evocação original, poucas vezes é mantido: os cortes são mais frequentes e poucas vezes seguem o sentido da acção.

O final faz a ponte com o Annabelle original que, admitidamente, até melhora este primeiro título: o argumentista, Gary Dauberman, escreveu ambos os filmes e é um dos responsáveis pelo remake do clássico de terror It, que estreia já no próximo mês.

Se já viste os outros filmes deste universo, que se vai continuar a expandir (tem pelo menos 3 derivados/sequelas anunciadas), sabes perfeitamente no que te estás a meter. Tendo isso em conta, este é um filme tecnicamente competente, mas que nunca deslumbra nem tenta expandir ou subverter o género. É inocente na prática e na teórica, sendo melhor que o seu original, mas sem vontade ou capacidade de melhorar a fórmula mágica que o conjurou.

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