A CASA TORTA | Crítica

Tem todos os ingredientes para satisfazer os amantes do género de policial.

133
Jorge Felicidade
Adoro desporto, em especial ténis, que pratico desde criança. A música é fundamental para a minha sanidade mental, quer seja...

Agatha Christie é uma referência da literatura policial e de mistério, ao lado de Arthur Conan Doyle. Ambos criaram duass personagens que permanecem como sinónimo do investigador policial: Hercule Poirot e Sherlock Holmes.

A Casa Torta é baseado num livro da escritora britânica em que, curiosamente, não participa o conhecido detective de origem belga. O seu lugar é aqui ocupado por um jovem detective privado, contratado pela neta de um milionário para descobrir quem poderá ter sido responsável pelo assassinato do seu avô. Como tantas vezes acontece neste tipo de histórias o detective Charles Hayward vê-se confrontado com uma família disfuncional, em que praticamente todos são suspeitos de ter cometido o crime, pois todos tinham algo a ganhar com a morte do patriarca.

À medida que conhecemos a história da família Leonides, começamos a perceber que havia no seu seio ressentimento, inveja, ganância, e ódio quanto baste para culminar numa tragédia. Grande parte da responsabilidade é devida ao milionário de origem grega, um homem mais dado a controlar, manipular, e humilhar os filhos e netos do que a amá-los. A desumanização da família, gerida como se fosse um negócio é uma das razões para que este filme tenha tanto de análise social e psicológica como de drama e policial. A qualidade do argumento está ao nível das expectativas para um filme baseado na obra de Agatha Christie e envolve-nos como uma neblina matinal.

O filme utiliza jogos de sombras de uma forma inteligente, ajudando à construção de um clima de suspense e mistério. Os planos são soberbos e foram pensados ao pormenor. Realçam determinadas frases nos diálogos, ou simplesmente aproximam-nos de um pormenor ao mesmo tempo que nos afastam para que possamos apreciar a mansão da família Leonides e o campo britânico em todo o seu esplendor.

O guarda-roupa e os adereços estão irrepreensíveis. Dão-nos uma representação fiel da vida no Reino Unido no final dos anos 50, uma simbiose entre as memórias do pós-guerra e do swing e o crescimento da cultura do rock’n’roll, prevendo a revolução cultural da década de 60. Os primeiros vislumbres da guerra fria fazem parte da história e não é posta de parte a possibilidade do crime ocorrido ter motivos políticos. É que a vítima não construiu a sua fortuna apenas sendo um capitalista. Também ajudou os serviços secretos norte-americanos na sua luta contra a ameaça comunista. Neste cenário, o argumento nunca se torna monótono nem previsível e o seu encadeamento deixa-nos sempre a querer adivinhar o que vai acontecer a seguir.

Apesar de ser uma produção britânica, rodada no Reino Unido, estão em destaque em A Casa Torta três actrizes americanas: Gillian Anderson, Glenn Close, e Christina HendricksGillian Anderson aparece quase irreconhecível, com um irrepreensível sotaque britânico, no papel de Magda, a mulher de um dos herdeiros do magnata Grego. Magda é uma mulher que vive uma vida de sonho, não por ser feliz mas porque se imagina uma actriz reconhecida, quando apenas representa peças que ninguém vê em teatros a que ninguém vai.

Glenn Close está ao seu melhor nível, representando Lady Edith, uma mulher com uma personalidade fortíssima e uma presença magnética. Lady Edith é irmã da primeira mulher de Leonides e manteve-se como peça chave na estrutura familiar mesmo depois da morte da irmã. É alguém que tem o respeito dos outros membros do clã e exerce a sua influência na educação dos mais novos. O trio de actrizes fica completo com Christina Hendricks, conhecida pelo seu papel como Joan Harris na série Mad Men, e que aqui faz o papel da jovem e voluptuosa viúva de Leonides. Será que ela matou o marido para ficar com a sua fortuna? Esta é a pista mais evidente que o detective Charles Hayward começa por investigar. No entanto, rapidamente percebe que qualquer elemento da família podia ter cometido o crime

A Casa Torta é um excelente filme policial, com todos os ingredientes para satisfazer os amantes do género. É também um retrato fiel de época e uma detalhada viagem aos cantos mais obscuros da mente humana, onde a crueldade, a inveja, o ódio, e a ganância se escondem, à espreita de uma oportunidade para assumirem o comando do destino das personagens. Vai ver o filme e não resistas a fazer também o papel de detective… Será que vais conseguir descobrir o culpado?

Poirot ou Holmes, qual o teu investigador preferido?

A TUA REACÇÃO
1
ADOROADORO
0
OMGOMG
0
VOMITEI-ME TODOVOMITEI-ME TODO
0
YayYay
0
TRISTETRISTE
0
MEHMEH
0
NOPENOPE
0
IRRITADOIRRITADO
Voted Thanks!
A TUA OPINIÃO
Este espaço é disponibilizado para comentários sobre o tema apresentado nesta publicação. Respeita a opinião dos outros e mantém a discussão saudável.
Os comentários são moderados de acordo com as Regras da Comunidade.
BASTIDORES