FIM DE LINHA | Crítica

    Há curtas-metragens de rara qualidade a serem feitas em Portugal, por portugueses. Esta é uma delas.

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    Em parceria com o Shortcutz Faro, o Cubo Geek faz críticas às curtas-metragens apresentadas a concurso. Esta é uma crítica à curta-metragem Fim de Linha, com realização de Paulo D’Alva e António Pinto, e argumento de Paulo D’Alva.

    Vi este filme à noite, na escuridão do meu quarto, com auscultadores para não incomodar os vizinhos. Mal sabia que era eu quem iria ficar incomodado… Fim de Linha começa de forma assustadora – um grupo de porcos assustadoramente bem desenhados parece lutar por devorar algo. A fúria desenfreada atinge uma dimensão que ficamos com a impressão que não lhes falta vontade de se devorarem a si próprios. Consigo ouvir cada detalhe desta cena macabra, desde os grunhidos aterradores até à subtileza da chuva a cair. O que se passa aqui?

    Não temos de perceber tudo. Há coisas que são demasiado belas para perceber e eu fui apanhado na ratoeira. Estou a apreciar cada segundo desta história em que não tenho certeza se nos aproximamos do fim de uma linha ou se tudo não passa de um sonho em que, como tantas vezes acontece, fugimos de algo que, quando acordados não conseguimos identificar o que é. O tempo é um dos protagonistas do filme. Há relógios e mecanismos por toda a parte. Do que estamos à espera? Ansiamos por chegar ao fim da linha? Perseguimos alguém? O que procuramos? Uma redenção?

    O filme conta com musica original dos Dead Combo, o que na minha opinião é mais um crédito à sua qualidade. Mas até podia não ter música nenhuma. A qualidade da animação é tal que o silêncio a podia acompanhar respeitosamente, como numa homenagem à sua beleza singular. Paulo D’alva e António Pinto construíram uma história enigmática que me deixou com muitas questões por responder mas uma certeza: há curtas-metragens de rara qualidade a serem feitas em Portugal, por portugueses. Esta é uma delas.

    Qual o teu filme de animação preferido?