Cai neve, encontramo-nos num edifício destruído, aviões a sobrevoar o campo de batalha,  poucas munições, rodeados de tanques e com um sniper no topo da colina a observar-nos pelas janelas que ainda se mantêm erguidas após o caos. É assim que Battlefield V recria um cenário apocalíptico, fazendo-nos sentir claustrofóbicos num mapa de enormes dimensões.

A partir do momento em que seleccionamos no menu de overview, qual o sítio onde vamos aterrar, segue-se uma aproximação da câmara ao local até nos encontrarmos em primeira pessoa. Aí marchamos para as frentes de combate, ultrapassando destroços e balas num ambiente bélico que mais ninguém consegue recriar. O principal foco de Battlefield V é o confronto, no seu estado puro, pessoas contra pessoas aos tiros num campo de batalha, os tanques e aviões contam como meros acessórios numa guerra descomunal entre lados.

Tendo testado o videojogo no meu modesto setup (GTX 1060 3GB MSI Gaming X + i3 8350k + 8GB Ram) consegui extrair o modo ultra em 1080p nuns estáveis 45/50 fps, pelo que decidi baixar algumas definições até chegar aos 60 fixos. O que me permitiu desfrutar da guerra virtual no seu pleno, com visuais de cortar a respiração, edifícios a colapsarem à minha frente enquanto flocos de neve chovem num clima que causa hipotermia (ou morte por disparo) a quem se atreva a ficar quieto na Noruega.

Com uma imensa dose de realismo, não gosto de estar à espera para poder reaparecer no mapa quando morro. Ou seja, quando somos baleados, somos obrigados a esperar um determinado tempo até aparecer alguém que nos reanime ou para termos a oportunidade de regressar ao campo de batalha. Uma espécie de botão de morte súbita dava jeito, não nos deixando à espera.

Acho também que as snipers, principalmente a Kar 98, estão underpowered. Pois foram inúmeras as vezes em que acertei em inimigos, tirando 60 pontos de vida, o que serviu apenas para continuarem a corrida que tinham começado antes de lhes acertar. Eu sei que padeço de pontaria exímia mas ainda lhes acertei várias vezes e de nada serviu, acrescento até que matei inimigos de forma mais efectiva com a pistola do que com a sniper.

A destruição dos cenários é fulcral neste videojogo pois não só contribui para o realismo proveniente da guerra real mas também ajuda na cobertura no campo de batalha. Foram inúmeras as vezes que me escondi atrás de destroços para obliterar os adversários. Foram também inúmeras as vezes que desci de forma abrupta para o rés do chão pois rebentaram com a casa onde estava, portanto é uma espada de dois gumes.

Tendo as classes habituais, Assault, que se foca mais na vertente do corre e disparar desenfreadamente, tentando derrubar qualquer corpo que se mova no campo de visão; Recon, especializado em obter informações sobre o paradeiro dos inimigos, algo bastante nerfed (diminuído) neste videojogo, sendo que os inimigos apenas ficam marcados enquanto estão no nosso campo de visão, transmitindo um maior realismo; Medic, apesar de neste videojogo qualquer pessoa conseguir reanimar um camarada, os Medics mantêm a sua importância pois reanimam muito mais depressa e são os únicos que conseguem recuperar a vida inteira aos aliados; por fim, Support, com as munições escassas em Battlefield V, esta classe vem colmatar uma necessidade que apenas é substituída caso roubemos as munições aos cadáveres que encontramos no campo de batalha.

Na minha opinião, além do habitual cenário realista de guerra e do equilíbrio das armas em jogos competitivos, o ponto forte de Battlefield vai ser sempre o som. O som deste videojogo é surreal para quem joga de headphones, imergindo-nos num cenário brutal que nos faz assustar a cada explosão ou bala desviada. Dei por mim a desviar-me fisicamente em frente ao monitor cada vez que ouvia algo passar por mim, eu sei eu sei, mas não há nada a fazer.

Com um closed alpha praticamente em modo gold, Battlefield V apresenta-se como um forte candidato (o mais forte até agora) a vencer os prémios da respectiva categoria. Com a forte storytelling a que a DICE nos habituou, prepara-te pois este apronta-se a ser um home run.

Battlefield V tem lançamento marcado para 19 de Outubro para Xbox One, PlayStation 4 e  na Origin para PC.

O que esperas deste novo Battlefield?