LITTLE NIGHTMARES COMPLETE EDITION | Crítica

Um videojogo que te faz mergulhar nos teus piores pesadelos!

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Por Joana Sousa escritor/a em SOMOSGEEKS.PT
http://joanasvsousa3.wixsite.com/joanasousa
A minha paixão pelo Cinema e Videojogos levou-me pelos caminhos da Animação e Pós-Produção e a cobrir essas áreas aqui...

Little Nightmares Complete Edition é um indie puzzle-platformer de terror e aventura com grafismos 3D em side scroll. Desenvolvido pela Tarsier Studios,  chegou até nós agora através da Bandai Namco. O videojogo teve agora o seu port para a Nintendo Switch desta edição que inclui o trio de DLCs que completam o escopo da história original. O grande lançamento deste videojogo foi em Abril do ano passado e rapidamente se tornou um fenómeno, chegando mesmo a ocupar o 4ºlugar na tabela de vendas do Reino Unido. A história ganhou mais tarde uma adaptação em banda desenhada, escrita por John Shackleford e ainda se fala numa adaptação televisiva. O último dos seus DLCS, The Residence, só saiu em Fevereiro deste ano, reacendendo a chama e trazendo o hype de ver este videojogo chegar à Nintendo Switch.

Mantendo-me às escuras sobre a história de Little Nightmares, deixei que quando tivesse a oportunidade de jogar este videojogo, pudesse verdadeiramente desfrutá-lo sem ter visto quaisquer spoilers. Assim e tentando dentro do possível manter-te nesse nível, vou contar-te como é a experiência de jogo aqui. A nível de história, esta parece estar cheia de significados que estão de certa forma ocultos e que não te serão dados. O videojogo não entra em profundidade, nem responde às perguntas que te levariam a perceber o que se está a passar na totalidade. Mantendo o clima de mistério e suspense sempre vivo e com personagens icónicas a surgirem ao virar da esquina.

Na história original, dás vida à personagem de Six, que procura escapar-se deste pesadelo de The Maw. Um barco repleto de salas e passagens obscuras onde vivem figuras humanas deformadas que tentam capturar Six para a adicionarem ao menu. Aliás o videojogo era para se chamar Hunger, e de certa forma entenderás ainda melhor o porquê enquanto o jogares. Além destas monstruosidades, este mundo é também populado por pequenas criaturas que se escondem entre as paredes e em toda a tralha que compõe os cenários. São muito medrosas, mas também muito fofinhas. São uma espécie de gnomes.

A par da história de Six, decorre a história de Runaway Kid, a personagem que controlas durante os DLCs. Este dar-te-à um escopo muito mais profundo da história que se passa neste navio. Tão profundo quanto o que a Tarsier esteve disposta a abrir mão para não desmistificar todo o enredo, e ainda bem. Gosto de manter o mistério e não espremer o sumo até a polpa secar.

Este videojogo parece mesmo algo saído dos nossos pesadelos de criança não? But it gets darker.. Não vou contar muito mais para como disse, tentar manter-te nas sombras. Posso no entanto dizer-te que achei a história do Runaway Kid muito mais emocionante do que a de Six. Houve um total envolvimento emocional que foi tão bom que me chocou. Toda uma paleta de sentimentos tomaram conta de mim enquanto controlei esta personagem.

A nível de mecânicas, não vejo porque pedir mais e melhor do que o que já nos estão a dar. Uma característica muito forte aqui é um certo stealth e a simplicidade da linha de raciocínio que te faz seguir em frente. As mecânicas implementadas são bastante criativas e funcionam bem. São muito intuitivas e não te dão a oportunidade de te fixares numa ou noutra para progredires ao contrário do que muitos videojogos tendem a fazer. As soluções, porque este videojogo é sobretudo um grandioso puzzle, no entanto não são, no geral, descaradas. Vais ter muitas situações onde terás de trabalhar para acertares a tua estratégia e conseguires avançar. Contudo a série de mecânicas aqui presentes fazem-te chegar ao caminho certo se pensares com um grande instinto de sobrevivência, o que traz um certo realismo ao videojogo.

A nível gráfico, o videojogo deslumbrou-me! A consistência deste ambiente obscuro, o jogo de sombras e de luzes a conjugar com o mistério que paira nos cenários e o pulsante suspense incessante, é algo que achei sem dúvida brilhante! A paleta de cores divide-se entre cenários monocromáticos, a enaltecer o espírito dos personagens, e cenários mais coloridos mas que continuam a pender para a pouca saturação para não fugir a essa preocupação de fazer transparecer os sentimentos da cena nos mesmos.

Isto e uma composição visual puramente fotográfica que faz com que quase todos os frames sejam fotogénicos, e uns movimentos de câmara que simulam muito bem um barco a movimentar-se, são o tipo de tratamento porque sonho me deparar! Os nossos personagens apresentam-se tão pequenos neste mundo imenso e cheio de criaturas monstruosas que novamente a equipa da Tarsier mostrou ter um sentido estético muito apurado. O videojogo faz-te sentir tão pequeno, tão frágil, tão só num mundo tão cruel… Só queres mesmo passar, e passar despercebido como um rato.

O tratamento de som não foi pensado com menos critérios. Sons distantes, invocam o mistério e o suspense do ambiente enquanto pequenos trechos que lembram uma melodia das caixinhas de música das crianças, completam este panorama sonoro. Uma sonoridade tão bem recheada de significado quanto os grafismos que a acompanham no videojogo.

Litttle Nightmares cativou-me de uma forma tal que me lembro de não ter parado de jogar desde que tive acesso ao videojogo, o que resultou numa grande enchaqueca, mas muito sinceramente eu só queria voltar a ligar a Switch e continuar a jogar. Não me lembro de estar tão agarrada a um videojogo ao ponto de querer jogá-lo nestas condições, mas a fome por continuar a descortinar esta aventura e descobrir onde é que iria parar a seguir, era assim tanta! Como resultado lembro-me da ternura de certos momentos e do espanto de certas revelações tão subtis e memoráveis. Tenho ainda lágrimas para verter e durante uns tempos à certas coisas que não vou querer ver na minha mesa de jantar..

Só tenho pena de ter jogado tudo de rajada. Tal como na história de Outlast e o seu DLC Whistle Blower, eu aconselho-te a acabares a história de Six e deixares um tempo passar antes de pegares na história de Runaway Kid. Sinto que me escapou um sentimento muito forte de nostalgia por ter logo acabado esta edição completa. Se gostaria de ter outra experiência neste mundo dentro do Little Nightmares? Eu não gosto de ver histórias como estas a serem espremidas, e a Tarsier já me deu uma certa segurança de que não o pretende fazer. Contudo, parece-me que já está a ser pensada uma nova história, mas muito sinceramente, preferia que parássemos por aqui. Foi bem bom, foi especial, foi memorável.

Com tudo isto, há um certo vazio que não pode ser ignorado, no entanto esse é o que acaba por dar-nos a fome por este videojogo e com isso, não o quero de alguma forma o ver preenchido. Little Nightmares Complete Edition é um videojogo que recomendo vivamente e que tem agora reservado um lugar muito especial no cantinho do meu coração. Foi sem dúvida um prazer poder ter acesso e partilhar contigo esta experiência.

Little Nightmares Complete Edition já está disponível para Steam, Xbox One, Playstation 4 e Nintendo Switch.

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