SHADOW BUG | Crítica

Um conceito de jogabilidade inovador e muito flexível.

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Por Joana Sousa escritor/a em SOMOSGEEKS.PT
A minha paixão pelo Cinema e Videojogos levou-me pelos caminhos da Animação e Pós-Produção e a cobrir essas áreas aqui...

Recentemente tive a oportunidade de jogar um videojogo que foge um pouco da onda daqueles que temos estado a receber aqui no Cubo Geek. Shadow Bug é um videojogo que foi nos confiado pela Muro Studios e é, digamos, o produto de um projecto que começou entre estudantes universitários em Aalto University, na cidade de Helsinki na Finlândia. Numa era em que cada vez surgem mais incentivos para os nossos futuros profissionais desta área, é muito importante frisar exemplos de percursos como o de Shadow Bug cuja origem não foge muito ao panorama actual em Portugal a nível universitário.

Entre outros projectos em Game Jams, Shadow Bug foi o projecto que consolidou a Muro Studios, revelando ao mundo a sua equipa tão talentosa. Kim Valori, programador, Juha Ylimäki, artista e Veli Laamanen, sound designer, viram os seus talentos serem descobertos e premiados ao longo destes últimos anos através deste videojogo. Neste último ano a equipa esteve a trabalhar num port do videojogo para a Nintendo Switch, e agora com o produto final em mãos, vou-te contar tudo sobre esta experiência!

  PODE | Crítica

A história de Shadow Bug é muito simples. O jogador interpreta uma personagem do mesmo nome que o videojogo, e o seu objectivo é parar a fábrica que ameaça poluir e destruir toda a sua floresta. Sem cut-scenes, nem nada explicativo da história, partes para 36 níveis onde poderás encontrar ainda mais níveis secretos e que te desafiam a preservar este ecossistema. Uma abordagem muito própria dos videojogos mais direccionado para o género de gerenciamento de tempo (time management), e puzzles como Candy Crush e etc.. Ainda assim, sinto que poderiam ser introduzidos aqui facilmente, elementos que reforçassem um sentido de história. Tendo um tema tão nobre, é realmente uma pena poder-se jogar este videojogo sem ter ideia do que realmente está por trás do seu conceito.

A jogabilidade é inovadora e muito flexível, especialmente em termos de plataformas portáteis. Primeiro que tudo, o conceito da mobilidade da personagem é muito dinâmico. O teu personagem só é controlável no eixo horizontal, sendo que poderás saltar se selecionares um inimigo no ecrã. É então quando seleccionas um alvo a abater que a personagem voa pelo cenário a esquartejar inimigos de um lado para o outro. Esta é a única forma da tua personagem se mexer, o que requer ao jogador algum planeamento a nível de tempos e trajectória para conseguir fazer o percurso do nível inteiro.

Em cada nível, tens ainda 3 desafios a completar que te dão estrelas conforme atingires cada um dos objectivos. Esses desafios são sempre completares o nível em si, fazer-lo em contra-relógio, e recolhendo o máximo número de pontos espalhados pelo cenário. Assim, o jogador é aliciado a desafiar-se a completar os níveis com a maior rapidez e perfeição possível!

  HAND OF FATE 2 | Crítica

No caso da Nintendo Switch, o videojogo dá-te a possibilidade de jogares de 3 maneiras diferentes. No entanto, a abordagem do seu tutorial poderá levar-te a pensar que só podes jogar em modo portátil, recorrendo ao touchscreen da consola. Nesse modo utilizas o joy-stick esquerdo para mover a personagem e a tela para saltares. Se jogares em modo dock ou tabletop, com os joy-cons separados, irás ter que jogar obrigatoriamente em motion.

Embora eu seja fã dos controlos em motion, e estes estejam bem aplicados a este videojogo, não foi este o modo que acabei por preferir. Neste tipo de videojogo que vejo mais como uma fuga para os desesperos do mundo mortal, como filas de espera e tempos mortos em viagens, o motion não é exactamente tipo de controlos mais adequados e utilizado pelos jogadores. Contudo, é muito bom ter esta opção disponível. Por último tens a opção de jogares com um par de joy-cons, utilizando em grande parte os botões e somente o motion para controlar a tua pontaria. Uma abordagem bem mais simples e até familiar se como eu estiveres muito habituado aos controlos de Splatoon 2.  

A arte de Shadow Bug, é muito atraente. Jogando com um cenário muito belo em tela de fundo e com elementos dos vários planos de profundidade do nível em forma de sombras. A animação é muito mecânica e rítmica, o que até acaba por conjugar com a jogabilidade para o jogador saber de ler os movimentos no ecrã enquanto salta rapidamente entre o cenário. No entanto, acho este estilo de animação extremamente exagerado, e podia ser sem dúvida melhorado.

  THE LOST CHILD | Crítica

A nível de sonoridade, temos pouca necessidade de efeitos sonoros, sendo que só ouvimos os inimigos a serem esquartejados, a personagem a saltar e andar, o som do final dos níveis e pouco mais. Estes efeitos sonoros, acabam por se tornar muito repetitivos como deves imaginar, podendo ter sido implementado um som específico para cada tipo de inimigos, já que também não são assim tantos. A nível de soundtrack, cada área do videojogo tem um tema específico que toca em todos os seus níveis. Há ainda níveis em que tens de derrotar o boss na área, e para cada uma dessas situações tens um tema específico.

Shadow Bug, é um videojogo competente, quase equiparável ao Super Meat Boy. Fica mesmo ali quase a cheirar o Bem Bom, mas por enquanto, tendo em consideração vários elementos, não consigo dar-lhe melhor nota. Senti ao longo do videojogo que falta ser implementado um pouco de história, que incentive mais os jogadores a progredirem.. Por mais pequena que fosse a mesma, essa iria fazer sobressair todo o conceito do videojogo, que por enquanto foca-se exclusivamente na sua jogabilidade. A animação é um aspecto que acaba por também não favorecer este videojogo. No entanto se precisas de algo novo e inovador para abstrair-te durante grandes períodos de tempos mortos, este videojogo é uma opção. Este videojogo acaba por me deixar curiosa em relação a futuros projectos deste estúdio, que revela deter talentos promissores.

Shadow Bug já está disponível para SteamIOS, Android e Nintendo Switch.

Que videojogos tem surgido no âmbito universitário aconselhas a experimentar?

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