“A Life Spent”

Este episódio foi TÃÃÃÃÃOOOOOO BOOOOOM! Começa logo com um zoom in extremamente impressionante vindo de imensamente longe para quase  um close up da estação espacial Lighthouse, onde sobrevive o que resta da humanidade sob o jugo dos Kree. A exposição destes primeiros momentos está extremamente bem escrita, com a maioria dos pormenores a serem depreendidos das cortesias falsas entre o Kasius e o enviado da Lady Basha, numa troca de insultos velados, mas o verdadeiro génio começa quando passamos para a perspectiva da Jemma. Ela continua sem conseguir ouvir o que se está a passar à volta dela, e vemos apenas as reacções e maneirismos do Kasius e da Sinnara a conspirarem e depois muito ameaçadoramente a olharem na direcção da Jemma; esta interacção diz imenso sem dizer nada, e cria um ambiente de ameaça e perigo fantástico.

E tenho a dizer que adoro este novo ambiente absolutamente cyberpunk em que a equipa se encontra. Eles a serem abusados pelo Grill, interpretado pelo excelente Pruitt Taylor Vince, ele a dizer à Yo-Yo para ser mais rápida, tudo cria um ambiente muito evocativo, e estabelece realmente quão difícil vai ser eles desenvencilharem-se disto (acho que o primeiro passo vai ser derrubarem o Grill e tomarem conta da operação dele, mas lá chegaremos). A interacção entre a Daisy e o Deke também é interessante, porque pelo meio do aparente flirt que está a haver e as acusações de a Daisy ter causado o Apocalipse, ele menciona a teoria dos Multiversos pela primeira vez. Isto é extremamente interessante porque sugere que eles vão começar a explorar isso, e se for esse o caso então as coisas têm o potencial para ficar mesmo, mesmo muito confusas e malucas, e eu gosto disso.

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A Daisy consegue encontrar o resto da equipa na fábrica do Grill, e faz contacto com a Yo-Yo, e gosto imenso que em vez de ela entrar por lá à bruta para salvar toda a gente, a Yo-Yo já tenha um plano em mente e lhe diga que ela pode ajudar melhor mantendo-se à distância; toda a gente está a tomar decisões extremamente racionais que apesar disso fazem sentido dentro do enredo (acredita em mim, isso é mais raro do que se poderia pensar). O Coulson, que entretanto já se meteu no arrastão espacial à custa das capacidades impressionantes de persuasão da Tess, suspeita que o Virgil estaria à procura de um calhau específico no espaço, cujo código é 616. O plano do Coulson é ir no arrastão à procura desse calhau, mas o Grill manda o seu saco de músculos com eles para os espiar.

Vale a pena neste momento fazer um parêntesis e explicar porque é que isto é relevante. Lembras-te como há pouco o Deke estava a falar de Multiversos? Pois bem, as bandas desenhadas da Marvel já usam esse conceito há anos para justificar milhentos reboots e universos paralelos e uma data de outras coisas mais ou menos estapafúrdias. Nas bandas-desenhadas a principal continuidade onde aconteceram a maior parte das principais aventuras chama-se Earth-616. Por comparação, a continuidade onde acontece o MCU é a Earth-199999. Eu quero acreditar que esta referência a um calhau no espaço com o número 616, quase imediatamente depois de o Deke ter mencionando Multiversos, não é apenas um easter-egg ou uma referência obscura, que vai ser mais do que isso e vamos ter uma exploração concreta e detalhada dos vários universos Marvel, e quem sabe até viagens interdimensionais! Woohooo!!

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Entretanto a Jemma descobre que a sua missão é ajudar uma rapariga Inumana a controlar os seus poderes. Todas as interacções entre a Jemma e a Abby (a rapariga inumana) são de uma ternura e afecto de derreter o coração; acho que nunca gostei tanto da Jemma como gosto agora, e pelo meio temos alguma exposição muito bem introduzida e importante. A Abby explica que foi removida da sua família, foi obrigada a treinar os seus poderes, e agora tem de passar por uma cerimónia, e se falhar nisso a sua família vai sofrer, e acredita que tudo isto são os Kree a ajudarem-na.

A sequência em que a Jemma ajuda a Abby a controlar os seus poderes também é lindíssima. O seu discurso em que ela faz uma analogia entre o espaço entre átomos e o espaço entre estrelas é simplesmente poético, e a composição da Abby a passar a mão através do jarro de vidro é igualmente visualmente linda. Claro que depois chega o Kasius e estraga tudo com a sua frieza ameaçadora, inclusivamente sugerindo que a Sinnara teria posto a Jemma naquela situação propositadamente para ela falhar. É arrepiante o desdém com que a Sinnara diz “compaixão” para descrever a Jemma, e isso diz-nos tanto dos Kree.

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O Coulson, a May, o Mack, a Tess, e o saco de músculos estão no arrastão espacial, e o Coulson e a May têm um momento muito bonito também, em que ela revela imensa vulnerabilidade quando ele lhe pergunta acerca da perna, dizendo apenas “I’m not going to lie” e deixando tudo o implícito. O próprio Coulson mostra um momento de dúvida, revelando que assume a possibilidade de eles nunca mais regressarem a casa. Quando a Tess chega com o globozinho azul do Virgil o Coulson mostra a sua esperteza encontrando dentro do globo uma chave, que lhes abre a porta para um rádio que o Virgil estaria a usar para comunicar com alguém. Nesse preciso momento, no entanto, chega o saco de músculos que os vê, e eles vêem-se obrigados a darem-lhe uma tareia (o Mack dá-lhe uma tareia, e raios se não foi satisfatório de ver), mas o que é realmente impressionante é o pânico da Tess, que compreende o mundo deles e que diz que ter feito isso é basicamente uma sentença de morte. A Tess propõe simplesmente atirarem-no para o espaço para se protegerem, mas o código moral dos outros impede-a. Nesse momento o Coulson descobre que há de facto uma transmissão a ser enviada do calhau flutuante, mas que essa transmissão está a ser enviada da superfície da Terra! Será o Fitz???

Entretanto na fábrica do Grill temos uma das cenas mais giras até agora, com a Yo-Yo a enganar o Grill de uma maneira espertíssima. Adoro como ela ao início finge que o seu Metric está a falhar correndo de maneira a confundir os sensores. Quando ele lhe remove o Metric e ela pode usar os seus poderes para ir buscar o pergaminho para dar à Daisy, a sequência e a representação visual dos poderes de velocidade dela está excelente, ao som de uma música etérea; é uma cena muito bem pensada e que funciona extremamente bem. A Daisy, depois de ter o pergaminho e pôr-se a caminho de ir encontrar a Jemma, é confrontada pelo Deke que a quer impedir por medo que os Kree façam represálias ao resto da população humana, chegando ao ponto de acusar a Daisy de ser a Quake, a destruidora de mundos, algo de que ela não gosta nada, mas que é difícil de censurar o Deke por sentir.

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Finalmente chegamos à Cerimónia, e os diálogos entre a Lady Basha e o Kasius são divertidíssimos de ver, com os dois a atacarem-se e a insultarem-se muito diplomaticamente. O que se segue é tudo menos diplomático, ao vermos a Abby, que parece ter pouco mais de 12 anos e ainda mais frágil do que antes numa espécie de arena, frente a um homem que mais parece uma montanha. O que se segue é duro de ver, porque não é propriamente uma luta, mas um espancamento brutal que o homem dá à Abby, que está numa desvantagem tremenda em todos os aspectos. Nem é a brutalidade da violência, ou sequer a unilateralidade da violência que aqui impressiona, mas sim o pânico e o medo da Abby. A brutalidade desta cena inicial escala ainda mais quando a Abby consegue cruzar um olhar com a Jemma e lembrar-se do que ela lhe tinha ensinado, e começa a modificar a sua densidade.

O plano em câmara lenta do homem gigante a partir todos os ossos no seu braço quando lhe dá um murro, e depois ela muito lentamente a enfiar o braço dentro do peito dele e a rematerializar-se destruindo-lhe o coração como se nada fosse é absolutamente brutal. No fim toda a gente fica contente, a Abby fica feliz por ter passado a sua “cerimónia” que agora percebemos que não foi mais do que uma luta gladiatorial para que a Lady Basha pudesse comprar mais uma escrava, e que a Jemma inadvertidamente contribuiu para isso. Toda esta sequência ilustra de maneira perfeita o mundo brutal em que os humanos e inumanos estão agora forçados a viver, e estabelece os Kree como vilões fantasticamente imponentes.

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Entretanto, o Coulson, a May, o Mack, a Tess, e o saco de músculos vêem-se obrigados a regressar ao Lighthouse, e mais uma vez o Mack reafirma o código de valores da S.H.I.E.L.D., de acordo com o qual eles não matam pessoas. Regressando ao Lighthouse, o Grill começa a ameaçar matá-los a todos por se terem amotinado e atacado o saco de músculos, e no último momento, quando a Tess parece estar a sacrificar-se por eles, a Yo-Yo planta uma arma no casaco do saco de músculos incriminando-o, ao que o Mack lhe dá um olhar reprovador. Isto vai ter consequências, de certeza, sobretudo para o saco de músculos. Entretanto a Daisy conseguiu infiltrar-se na base dos Kree, apenas para cair numa armadilha, sendo capturada pelo Kasius, que agora já sabemos que está à procura de Inumanos poderosos. Pior do que isso, percebemos que foi o Deke que a traiu. Wooooo, as coisas estão a tornar-se interessantes.

No fim, o Coulson consegue descodificar a mensagem que gravaram no Calhau 616, e descobre que de facto há alguém na superfície da Terra que estava a tentar comunicar com o Virgil, e que sabe que os Agentes da S.H.I.E.L.D. lá estão, tornando-se imperativo voltar a entrar em contacto com eles. Isso provavelmente vai ser difícil, porque na última cena do episódio vemos o saco de músculos na superfície da Terra a ser atacado pelas baratas espaciais que tínhamos visto inicialmente, numa cena muito reminiscente do Eclipse Mortal (2000).

Que episódio tão, mas tão bom! Tivemos imenso desenvolvimento de enredo, imensas cenas e sequências espectacularmente brutais e bonitas, imenso desenvolvimento de personagens, world-building! Agents of S.H.I.E.L.D. nunca esteve tão bom! Acho que esta é a série pela qual estou mais entusiasmado (mas não deixes de ver The Runaways, essa é a melhor série da Marvel actualmente).

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