Crítica | Versailles – 1ª Temporada

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    Versailles é uma série de drama de época de luxo escrita por David Wolstencroft e Simon Mirren, e desenvolvida e co-produzida pelo Canal Plus francês. É o programa de televisão mais caro produzido até 2015 em França, e quebrou recordes de audiências para um drama original do Canal Plus desde 2013. Apesar de ser um projeto em grande parte de financiamento francês, a série foi filmada em Inglês com vista a alcançar um público internacional maior.

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    Parcialmente baseada em fatos históricos (não pretendendo, por isso, ser um documentário!) sobre a intriga e luta pelo poder na corte do rei Louis XIV de França, conhecido como Rei Sol, a história começa em 1667, quando o todo-poderoso rei tinha 28 anos de idade. A série conta com a interpretação brilhante de dois atores britânicos em ascensão nos papéis principais: George Blagden (que se devem lembrar de certeza de ver como Athelstan em Vikings) dá uma enorme personalidade e carisma ao papel de Louis XIV e Alexander Vlahos (que conhecemos no papel do druida Mordred em Merlin) desempenha o enigmático e homossexual (bissexual?) Monsieur Philippe d’Orléans, irmão do rei.  O restante elenco não lhes fica muito atrás, como por exemplo a mulher do rei e princesa espanhola Marie-Thérèse, interpretada por Elisa Lasowski, o amante homossexual de Phillipe, Chevalier, encarnado por Evan Williams, Anatole Taubman no papel do traidor Montcourt, Lizzie Brocheré como a médica Claudine (sim, uma mulher, nunca antes visto!), e muitos outros.

    O enredo começa quando Luís XIV decide transferir o centro do poder de Paris para Versailles e construir o maior palácio do mundo, partindo de um pavilhão de caça que pertencia ao seu pai. O objetivo seria eliminar os resquícios de feudalismo que persistiam em algumas partes de França e pacificar a aristocracia, da qual muitos membros tinham participado na série de guerras civis conhecida como Fronda, durante a sua menoridade, e para isso convenceu os membros da nobreza a mudar-se e habitar o seu palácio luxuoso de Versalhes. A principal preocupação do rei é a forma de governar o crescente império francês, mas a corte francesa evoluiu para algo estranho – onde a dança e etiqueta eram críticas politicamente.

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    O seu irmão, Monsieur Philippe d’Orléans, é constantemente relegado a um papel menor na corte, devido ao crescente poder dos secretários mais influentes do Rei: Bontemps (Stuart Bowman), Colbert (Steve Cumyn) e especialmente o chefe de segurança, o implacável Fabien Marchal (Tygh Runyan), que põe qualquer um a tremer com um simples olhar. Por outro lado, a situação da França é ameaçada pela Holanda, governada por William de Orange (George Webster), que monta um enorme esquema de conspiração contra o rei e contra França, muito à custa de traidores que possuíam informação privilegiada dentro da corte. 

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    Somos submetidos a cenas horripilantes de mortes, traição, sexo, intrigas, típicas do que acontecia nestes tempos, ainda que eles tivessem todos um ar muito limpinho e aprumado! – Que, segundo o que se diz, não era bem a realidade naquele tempo, onde as doenças, principalmente venéreas, proliferavam, as pessoas urinavam e defecavam nos corredores do palácio, e os nobres que lá viviam não tinham assim tanto de nobre quanto isso. É esta é uma das críticas principais que encontrei às diferenças entre a realidade e a ficção nesta série.

    De acordo com a responsável pelos figurinos (vocês sabem que eu ligo muito às roupinhas, acho que podem ser, por si só, neste tipo de séries ou filmes, pequenas obras de arte!), Madeline Fontaine, foram necessários cerca de 100 trajes para os principais membros do elenco, e cerca de outros 200 produzidos em massa para os figurantes. Só esta equipa tinha 30 pessoas, para terem uma ideia da atenção ao detalhe. 

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    A cinematografia é maravilhosa e a utilização dos cenários reais do palácio (interiores e exteriores) em conjunto com o colorido do guarda-roupa foi muito bem aproveitada na realização. Conseguimos perceber, a evolução da construção, a dimensão das divisões, a riqueza da decoração e ornamentação. A quantidade de espelhos é qualquer coisa de indescritível, e só por si espelha a visão que o Rei tinha para o que queria que fosse o centro de França e do mundo.

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    Sem revelar em que ponto ficamos no final dos 10 episódios, porque vos ia estragar a visualização de toda a temporada, tudo está preparado para a saga continuar para uma segunda temporada, que já foi entretanto confirmada. No global, os primeiros quatro episódios parece que se passam mais devagar, mas quando entrarem no quinto não vão conseguir parar até terminarem a temporada, mesmo que signifique não dormir! Espero sinceramente que a série continue e possamos ver também outros reis, como o Louis XV (neto deste Louis XIV), conhecido como o Bem Amado, e o Louis XVI com Marie Antoinette! Mas ainda temos muito que palmilhar até lá.

    Eu sou fã do género, mas acho que precisamos de mais séries assim, acho que a História consegue frequentemente ser muito mais interessante do que a ficção! E para quem não gostava assim tanto de estudar história na escola, é o tipo de série que me faz querer aprender mais sobre história. Por outro lado, Blagden e Vlahos são excelentes (há uma cena num baile de máscaras que é hipnotizante!). O enredo centra-se muito nos dois irmãos, e mostrou-me um ângulo novo do Rei Sol que não conhecia (e conseguiu mudar-me de ideias, que eu desde há uns 15 anos atrás que dizia que gostava de ter vivido na corte do Rei Sol!). Mas é também sobre a construção de uma casa, um palácio, e também sobre a construção de um país. Duvido que um historiador aprove a série, mas eu não me importo! É televisão interessante e visualmente atrativa, e não daquela que vos consegue fazer adormecer!

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    Ficaram entusiasmados para ver esta série onde as intrigas políticas se misturam com as pessoais?