Comic Con Portugal 2016 | Os melhores convidados de sempre na pior edição do evento

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    O título é forte mas é verdade. Esta foi a pior edição da Comic Con Portugal, no entanto tivemos direito ao melhor grupo de convidados até hoje. Esta dicotomia não deveria existir e por isso merece que faça uma análise ao que correu mal este ano. Considero que esta foi a pior edição porque senti que houve melhorias mas que elas não foram suficientes para cumprir com as expectativas dos anos anteriores.

    Mas vamos já deixar uma coisa bem clara. A organização deste evento só pode estar de parabéns. Fazer uma Comic Con que atinja as expectativas de todos não é fácil e este ano tivemos uma excelente selecção de convidados. Foram muitos e muito bons. Todas as áreas estiveram bem representadas e até tivemos um painel sobre um videojogo. Isso é bom. Ter variedade é bom. Os stands das entidades na área de Cinema & TV foram bons este ano, como já nos habituaram. O Artist Alley esteve num sitio mais digno e a zona de alimentação teve variedade para todos os gostos.

    Posso criticar a não presença de certas entidades, tais como a Netflix, a Marvel, outras distribuidoras de filmes, etc, mas é errado fazê-lo pois não sabemos se foram abordadas pela organização ou se recusaram estar presentes. Infelizmente a presença de entidades foge ao controlo da organização. O que espero para o futuro é que façam todos os possíveis para terem mais empresas representadas na Comic Con Portugal. E espero também que esse esforço se converta em painéis com exclusivos. Sei que Portugal é pequeno e a comparação inevitável com o Brasil é completamente errada. Mas nada impede que seja mostrado cá, o que foi mostrado em outras Comic Con do resto do Mundo. Não precisamos de ter exclusivos mundiais, mas gostava de ver algo que só o público de uma Comic Con consegue ver.

    Este ano tivemos dois exclusivos. Foi exibido o primeiro episódio de Midnight, Texas, série da NBC trazida para Portugal pelo Syfy, que ainda não estreou em nenhum país. E tivemos imagens exclusivas mundialmente de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas. No mesmo patamar que a BD, uma Comic Con vive de exclusivos. É para isso que uma pessoa vai a um evento destes. Conviver com artistas de BD, daí o nome “Comic” do evento, e ver exclusivos. Normalmente esses exclusivos são acompanhados de convidados e daí nascem os painéis. Aplaudo o esforço da organização para ter exclusivos no evento.

    Os convidados foram outro triunfo do evento este ano. Foi sem sombra de dúvida o melhor grupo de convidados em qualquer edição da Comic Con Portugal. Os painéis foram muito bons, com os convidados bastante entusiasmados por estarem cá e com o público a abraça-los como nunca. De salientar, também, a melhor gestão do público nesta edição. As filas de entrada no evento e para os painéis foram muito melhor organizadas e os TPAs na zona comercial não deram problemas este ano, evitando a fila interminável no único multibanco dentro da Exponor.

    Mas então, o que falhou? Muita coisa. A começar pela decisão errada de expandir o evento para quatro dias. Foi triste ver a Exponor praticamente vazia na quinta-feira e na sexta-feira. Mais triste ainda, foi ver os painéis sem público. Nesses dois dias só a zona VIP enchia e era porque a organização permitia que o restante público fosse para essa área. Aos olhos de um convidado, ver uma sala vazia é uma facada no coração. E para nós fãs é uma vergonha apresentar um público destes aos convidados. No Domingo esteve mais cheio mas não superou a enchente de Sábado. Se tivemos os melhores convidados até hoje porque é que tivemos os painéis vazios? Tudo se resume à divulgação da Comic Con Portugal. A divulgação é fraca. O maior evento de cultura POP de Portugal não pode ter publicidade na televisão apenas algumas semanas antes do evento. Falta saber criar entusiasmo no público e falta saber chegar ao público certo de uma Comic Con.

    Repetir painéis também não é uma escolha acertada. Ao repetir um painel o mesmo deixa de ser exclusivo e isso faz com que um dos painéis esteja vazio. Foi isso que se verificou este ano. E tenho de falar dos moderadores dos painéis. Este ano houve dois bons moderadores: o Filipe Melo e o Joe Reitman. Os outros foram muito fracos, com destaque bastante negativo para a Andreia Novo. É de mencionar que nenhum moderador português falava bem inglês e acho que não é assim tão difícil arranjar quem seja fluente na língua inglesa. E é completamente impensável ter trailers a passar nos painéis de filmes que já estrearam. Infelizmente isso aconteceu constantemente. Foi também errado não divulgar e destacar os exclusivos do evento. Poucas pessoas sabiam dos exclusivos e isso fez com que os mesmos não tivessem o publico merecido.

    O Artist Alley esteve bem posicionado este ano mas faltaram mais artistas… Sei, através das minhas fontes, que muitos artistas começaram a desconsiderar a Comic Con Portugal por causa da organização. Não se percebe que em três anos tal aconteça e é preciso trabalhar no sentido de inverter esta situação. E apesar da localização do Artist Alley ter melhorado… Intriga-me por que razão a Comic Con Portugal continua a não acertar totalmente com a organização deste espaço, pois não sendo tão central como alguns desejariam, seria de evitar elevar uma parede que deixa alguns artistas de costas para a maioria da acção do evento (várias foram as pessoas que me disseram que ainda não tinham descoberto o Artist Alley… Quando estavam lá ao lado). Havendo poucos é importante tratar bem deles.

    A zona de alimentação carecia de mais mesas e as placas de direcção da zona de alimentação levavam o público para um beco sem saída. Não se percebe… Tal como não se percebe que haja informação somente em inglês. Isto já é algo recorrente dos anos anteriores. “Be Whatever You Want”, “Download Our App”, “Follow Us”, “Ask Here”, etc. Percebo a internacionalização do evento mas estamos em Portugal e gostava de ser abordado em português.

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    A aplicação da Comic Con Portugal foi fraca e isso é ser simpático. Muita coisa não apareceu, muita coisa apareceu em slots horários errados, etc. O programa em papel que foi distribuído no evento também falhou redondamente ao ser dividido por espaços e não por dias. Já para não falar do mapa do evento que foi impresso em cima do horário de várias actividades. Os voluntários não sabiam responder a nenhuma informação pedida. Várias vezes perguntei onde era determinado espaço, ou a que horas era o painel de um determinado convidado e, de todas as vezes, ninguém me soube responder. Um dos voluntários chegou ao cúmulo de não me saber responder onde eram as casas de banho. Entendo que são voluntários mas deveriam ter sido melhor preparados.

    Sei que estou a ser bastante crítico, mas sei também que falo por muitas outras pessoas, quando digo que merecemos uma melhor Comic Con. Não quero que a nossa Comic Con seja a maior e melhor do Mundo, mas sei que é possível fazer melhor. Sei que é possível ter mais público, ter painéis esgotados, ter exclusivos, ter representação de mais entidades. Sei que é possível abordar de melhor forma o fã que faz da Comic Con aquilo que ela é. E, analisando as edições anteriores, a organização também sabe e procura lutar por mais e melhor. Talvez lhe falte pensar como um verdadeiro fã, falar como um fã e saber entusiasmar-se como um fã.

    Só quando a Comic Con Portugal for feita de fãs para fãs é que será irrepreensível. Sei que a organização é capaz disso e espero que em 2017 eu engula tudo o que disse neste artigo porque se há algo que nos une é a vontade de fazer deste evento algo pelo qual todos os anos esperamos visitar com o maior dos entusiasmos.

    O que achaste desta edição da Comic Con Portugal?

    6 COMENTÁRIOS

    1. Não sei se foi abordado nos comentários, mas penso que foi inadmissível não terem nada de Aliens que sendo um filme icónico que faz 30 anos teve representação em todas as masiores convenções por esse mundo fora, e não será assim tão difícil trazer uma Jenette Goldstein, Colette Hiller, Michael Bieh, Carrie Henn, Lance Henriksen ou o William Hope, já excluindo os mais conhecidos e que fizeram mais papeis principais. Mas faltando algum actor podiam ter artigos dos filmes expostos, o que também não aconteceu, aliás em termos de artigos em exposição está cada vez pior, passando de um espaço excelente com props excelentes na primeira edição, para um espaço diminuto mais ainda assim com alguma variedade, para uma vitrine com 3 props de game of thrones neste ano.

      O grande problema neste momento penso que é a Comic Con estar a ser desenhada e pensada para um publico na faixa etária dos 25 ou menos, que na realidade é um publico que não vai pagar 3 ou 4 dias de bilhete quando pode pagar só um para ver o flavour of the month, aliás isso notou-se nas filas para os auditórios no sábado que tinham uma média de idade inferior a 25, sendo que as filas para os monstros dos comics que lá estavam eram preenchidas por uma audiencia mais madura na maioria de 30 ou mais, que por sinal é quem gasta dinheiro no artists alley, ou nas lojas de merchandize de de board games.

      Isto leva ao ponto dos rumores de que para o ano querem apostar mais em Anime e Manga, neste caso espero para o ano uma Comic Con repleta de crianças muito ao estilo da Lisbioa Games Week ou do Iberanime, em que o recinto enche, mas para os espaços comerciais é um flop porque é um publico sem capacidade finaceira, se sacrificarem os Comics pelo anime então aí vamos ver uma Comic Con a perder o tal publico mais maduro e que vai dar lucro “as lojas e que se interessa por paineis como o de Valerian, ou se interessaria e encheria um painel na sexta com algum actor icónico de uma qualquer série de sci-fi dos anos 80 …

      • É certo que podiam ter tido uma exposição de Alien ou ter trazido alguém ligado aos filmes, mas não sabemos se a organização tentou trazer alguém. No entanto continuo a considerar o grupo de convidados deste ano como o melhor que já tivemos na Comic Con Portugal. Estas coisas funcionam muito de boca a boca. As personalidades vão a um evento e se gostarem passam a palavra. No ano seguinte alguém que estaria reticente para vir, como já ouviu falar bem vai aceitar o convite. Estou confiante que a cada ano vamos ter melhores convidados.
        Em relação ao foco ser em Anime e Manga, duvido que isso passe sequer pela mente da organização. Eles têm noção do que é uma Comic Con e não vão desvirtuar o cerne do evento.

    2. Concordo com o post.Esqueceste de mencionar das piores coisas do evento (pelo menos para mim foi), o auditorio COMICS. Ficou vergonhoso aquela instalação, pior do que no ano anterior, até as casas de banho estavam melhor localizadas.Ouvia-se muito mal os convidados e houve uma altura em que nao havia microfones para o publico fazer perguntas (responsabilidade dos voluntarios, que muitas vezes revelaram-se despreparados para nao dizer inuteis) e para os convidados de BD que trouxeram nao achei que foi digno suficiente comparado com as outras Cons. Só nao percebo como é que na edição de 2014 o auditorio comics foi no confortavel auditorio B e nestes 2 ultimos anos reduziram para um espaço totalmente mediocre, e cheira-me que só melhoraram a localização do Artist Alley por causa do Alex maleev e o Ribic.

      • Este artigo não toca nos pontos todos da Comic Con. De certeza que houve muitas coisas boas e más que ficaram por dizer. Infelizmente não tive disponibilidade para passar pelos espaços todos. Quanto à localização do Artist Alley, mudou por causa do feedback dos artistas que estiveram presentes nas anteriores edições do evento.

    3. Não estive presente, por isso não há muito que tenha a dizer de cada uma das áreas mas deixa-me muito triste saber que com nomes tão pesados na área da banda desenhada nacional e internacional que o Artists Alley tenha sido um dos locais mais difíceis de localizar. É um espaço muito importante, tanto para quem puramente quer apreciar a arte de todos os que lá estão ou até mesmo conviver com alguns dos nossos artistas favoritos. Embora no ano passado o local não tenha sido o ideal, por outro lado acho que ninguém passou ao lado sem se aperceber do que se tratava. E foi exactamente por isso que tive, talvez, uma das melhores, mais positivas e mais inesperadas experiências no evento. Espero que continuem a apostar em nomes grandes, nacionais e internacionais e de todas as áreas, mas também espero que futuramente consigam aproveitar e divulgar isso da maior e melhor forma. Não quero pensar que posso nunca vir a conhecer um artista de que goste especialmente porque ele não quer voltar devido a uma má experiência com a organização. É um evento óptimo e acho que tem todo o potencial para atingir um nível como o das outras Comic Cons… Mas falta ainda muito trabalho de divulgação e organização, como disseste.

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