Crítica | The Talos Principle

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João Teotónio
Sou um mago vermelho da cromice, com pontos alocados principalmente nos videojogos. Adoro o ar livre e esticar as pernas.

Uma questão, qual é o próximo passo óbvio para uma produtora croata que fez uma trilogia de videojogos que são uma fantasia de poder masculino, cheio de testosterona e acção pura e crua? Uma experiência séria e filosófica que desafia o nosso poder mental e nos coloca questões existenciais, pois claro!

Produzido pela Croteam, conhecida principalmente pela serie de jogos Serious Sam, The Talos Principle é um jogo de puzzles lógicos tridimensionais em primeira pessoa, do mesmo género que a famosa serie Portal, da Valve, ou o seu sucessor espiritual, Quantum Conundrum. O nome vem de Talos, um grande autómato da mitologia grega (provando que o amor que a humanidade tem por robôs gigantes é intemporal). E a ideia surgiu durante a produção de Serious Sam 4, onde os programadores estavam a construir secções de puzzles e personagens computorizadas para testar se havia problemas ou erros nestes mesmos percursos do videojogo.

No controlo de um andróide, aparentemente sem qualquer conhecimento sobre a sua identidade, o jogador acorda no meio de uma misteriosa ruína greco-romana ouvindo uma voz vinda do céu. Esta voz apresenta-se como sendo Elohim, o criador do mundo, que promete conceder-te vida eterna se coleccionares os seus misteriosos “sigilos” que se encontram naquele mundo. Um teste à tua devoção a esta entidade misteriosa.

um jogo de puzzles lógicos tridimensionais em primeira pessoa, do mesmo género de  Portal ou Quantum Conundrum.

A narrativa do videojogo é apresentada através da voz de Elohim (fazendo lembrar uma versão menos agressiva de GLaDOS do Portal), estranhas pinturas nas paredes de código QR traduzidas em texto legível pelos olhos do nosso protagonista, um arquivo acedido por vários terminais espalhados pelo mundo e um diário áudio de uma senhora chamada Alexandra que descreve um projecto cientifico.

Portanto a história é apresentada de forma aberta sem tirar o controlo do jogador. É de facto um ponto forte, usar o elemento de interactividade é o que faz o videojogo ser um videojogo, temos de o aproveitar ao máximo e deixar os “filmes” só para momentos que é realmente necessário para desenrolar o enredo da melhor forma. E, neste caso, também dá ao consumidor a liberdade de abordar a mitologia do mundo com a intensidade em que está mais confortável.

corpo_talos

Durante a nossa viagem por este mundo, iremos descobrir a verdade sobre este local, sobre a identidade do protagonista e questionaremos o que é uma civilização, em que consiste realmente um legado, o que é necessário a uma entidade para ser considerada um ser consciente, entre outros.

O mapa esta dividido em varias salas, cada uma contendo um “sigilo” para adquirir. O caminho está bloqueado com portas (algumas futuristas com escudos de energia outras de ferro com uma fechadura tradicional), metralhadores rotativas estáticas, minas flutuantes, entre outros. Em The Talos Principle nunca nos é dada qualquer arma de fogo, no inicio apenas temos acesso a um aparelho que pode desactivar outro qualquer à distancia e com auxilio a caixas e chaves temos de puxar pela cabeça para resolver estes desafios.

Estas salas são diversas e por norma temos sempre acesso a mais do que uma, dando a hipótese de podermos encontrar as soluções na ordem que quisermos e, caso nos sentimos encravados, podemos sempre tentar outra primeiro até que se faça luz nas nossas cabecinhas mais tarde. Isto faz contraste a outros videojogos do mesmo género em que normalmente o progresso é feito de forma linear, sem grandes alternativas de resolução.

  NINE PARCHMENTS | Crítica

Por alguma razão, estes “sigilos” são na verdade tetraminós. Depois de adquirirmos um certo número podemos resolver um puzzle de encaixe para ter acesso a novas áreas e ganhar novas ferramentas. Uma delas, por exemplo, é uma espécie de prisma que altera o sentido de raios de luzes coloridos necessários para destrancar fechaduras da mesma cor. Novos objectos, como este, são introduzidos para aumentar a complexidade dos puzzles ao longo do nosso percurso. A sua dificuldade é incrementada de forma consistente e nunca nos sentimos realmente perdidos com a introdução destes novos elementos.

E para aqueles que querem algo mais desafiante, temos estrelas escondidas por toda a parte onde temos de nos abstrair das regras normais de um videojogo e ser muito mais inventivos que o normal para as conseguir alcançar. E uma campanha totalmente nova, Road to Gehenna, disponível por um custo extra que é ainda mais difícil e nos dá uma nova história. Assim sendo o videojogo consegue, sem grandes problemas, cobrir muitas bases de diferentes jogadores.

The Talos Principle é uma experiência realmente marcante e muito satisfatória, aconselho se tens alguma curiosidade no tópico e é mesmo imperdível para os verdadeiros fãs do género. O jogo da Croteam está disponível para Windows, macOS, Linux, Android e PS4. Existe também uma versão gratuita dos puzzles de tetraminós sob o nome Sigils of Elohim que desbloqueia conteúdo no jogo principal.

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